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Lindberg diz que prévia para escolha de candidato ao Senado foi pedido de Benedita

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DANIEL RONCAGLIA
colaboração para a Folha Online

O prefeito petista de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, negou nesta terça-feira que a falta de acordo tenha motivado a decisão do PT do Rio de Janeiro de marcar uma prévia que irá escolher o candidato do partido ao Senado. Ele disse que tinha um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o candidato e o apoio da maioria dos delegados, que iriam fazer a escolha dentro do diretório.

"Dos 400 delegados, eu tinha o voto de uns 270", afirmou o prefeito. Ontem, a Executiva do PT do Rio de Janeiro decidiu marcar para o dia 28 de março a prévia.

Lindberg explicou que a secretária de Assistência Social, Benedita da Silva, ameaçou recorrer da decisão dos delegados usando o estatuto do partido, que garante prévias nesses casos. "A gente tem estar unificado na campanha. Essas disputas do PT são sempre muito acirradas", afirmou.

Segundo ele, havia um acordo com Lula para que não saísse candidato ao governo em favor do governador Sérgio Cabral (PMDB). Em troca, ele seria candidato ao Senado.

Já Benedita disse que um acordo não dependia de sua vontade. "O acordo fica difícil quando os dois pleiteiam a mesma cadeira", afirmou. De acordo com a ex-governadora, ela tinha a preferência para disputar o Senado e que o nome de Lindberg somente surgiu agora.

A secretária afirmou que o diretório do Rio não contrariou o PT nacional, que recomendou a não realização de prévias. "Não confunda recomendação com princípios estatutários do partido", disse.

Benedita explicou também que não cabe ao Diretório Nacional mudar o estatuto do PT. "A prévia não viola nenhum direito."

Segundo o deputado Luiz Sérgio, presidente do partido no Estado, o ideal era que não houvesse prévia, mas um acordo não pode ser feito entre os dois pré-candidatos.

Recomendação

Na sexta-feira passada, o Diretório Nacional do PT aprovou uma recomendação aos filiados considerando "inconveniente" e "inoportuna" a realização de prévias nos Estados para a definição dos candidatos do partido ao Senado ou ao governo.

Segundo integrantes do diretório, a intenção da cúpula petista será de "constranger" e "desautorizar politicamente" as tentativas de disputa interna, apesar de a tese que defendia proibição clara das prévias ter sido derrotada.

O impasse no Rio não será o único que deve contrair a orientação do PT nacional. Em Recife, o ex-prefeito João Paulo (PT) disse que vai tentar seguir a recomendação do partido para chegar a um entendimento com o secretário Humberto Costa (Cidades). Os dois disputam a indicação do PT para o Senado.

No Distrito Federal, o PT já marcou prévias para o dia 21 de março para escolher se o deputado Geraldo Magela ou o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz será o candidato da legenda ao governo local.

Outro impasse está em Minas Gerais, onde o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel disputa com o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) a indicação para a candidatura ao governo do Estado. Além dos dois petistas, o ministro Hélio Costa (Comunicações), aliado de Lula, negocia uma solução com o PT para evitar o racha da base aliada em Minas.

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