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Presidente da Assembleia de São Paulo cria CPI para investigar caso Bancoop

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colaboração para a Folha Online

O presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou nesta terça-feira documento que autoriza a abertura da CPI para investigar o suposto esquema de desvio de verba da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para campanhas do PT.

A autorização será publicada amanhã no "Diário Oficial" de São Paulo. Os partidos têm 15 dias para escolher os integrantes. A maioria dos deputados estaduais apoia o governo de José Serra (PSDB).

O pedido de CPI foi apresentado em outubro de 2008 pelo líder do PSDB na época, o deputado Samuel Moreira, com a assinatura de 35 parlamentares --duas a mais do que o mínimo necessário para solicitar a investigação.

Segundo estimativa do promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, o desvio de dinheiro da Bancoop pode ter chegado a R$ 100 milhões. De acordo o promotor, os valores já eram conhecidos desde 2008, ainda na fase do inquérito instalado para investigar o suposto desvio que prejudicou 3.000 famílias de cooperados.

Na sexta-feira, o promotor pediu ao Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária), do Tribunal de Justiça de São Paulo, a quebra de sigilo bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por suposto envolvimento no esquema de desvio. Blat também pediu o bloqueio das contas da cooperativa.

Ontem, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), desafiou o promotor a provar que Vaccari Neto sacou recursos em dinheiro no suposto esquema de desvio de verba da Bancoop. Ele disse que, se o promotor comprovar que houve saques em dinheiro, o petista renuncia ao seu mandato na Câmara.

Já o deputado José Aníbal (PSDB-SP) criticou a reação de líderes do PT. O tucano comparou o comportamento do deputado Fernando Ferro (PT-SP), líder do PT na Câmara, com o do deputado Paulo Maluf (PP-SP) sobre as investigações dos promotores.

De acordo com reportagem da revista "Veja" desta semana, o promotor analisou mais de 8.000 páginas de documentos do processo que envolve o desvio de recursos e concluiu que a direção da Bancoop movimentou R$ 31 milhões em cheques para a própria cooperativa. Esse tipo de movimentação é uma forma de não revelar o destino do dinheiro.

Segundo a investigação, dirigentes da cooperativa teriam criado empresas fantasmas que prestavam serviços superfaturados e faziam doações não contabilizadas ao PT. Para Blat, há indícios de caixa dois, uma vez que os recursos repassados ao partido não constam dos registrados da Justiça Eleitoral.

Outro lado

A reportagem não localizou nenhum representante da Bancoop para comentar a estimativa de prejuízo feita pelo Ministério Público. Em nota divulgada no fim de semana em seu site, a reportagem negou a existência de um esquema de desvio de verba, conforme apontou reportagem da revista "Veja".

"A matéria é extremamente fantasiosa quanto aos fatos, como demonstra a informação de que teriam sido emitidos, para saque em dinheiro, cheques nominais à própria Bancoop em valor total superior a R$ 31 milhões", diz a nota da cooperativa.

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